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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A aquisição da escrita pela criança

A aquisição da escrita pela criança

Um nome importante é Emília Ferreiro. Ela, desde a década de 80 do século XX, estuda os processos de construção da escrita pela criança. Suas pesquisas tiveram uma grande colaboração para entendermos esse processo, mas é importante ter em mente que ela não criou um método de alfabetização, como ouvimos muitas escolas erroneamente apregoarem, e sim, procurou observar como se realiza a construção da linguagem escrita na criança.

Você sabe o que é Psicogênese?

A psicogênese pressupõe um sujeito que constrói ativamente seu saber, o qual incorpora informações percebidas no mundo externo à estrutura cognitiva transformando-a, pelo esquema de assimilação, em um processo de reorganização das hipóteses que já tenha elaborado. A língua escrita passa a ser concebida não como um código (com elementos e relações previamente dados), mas como um sistema de representação da linguagem.

Desta forma, há muita relação com o conceito de Letramento, já visto anteriormente.

Os estudos de Ferreiro (1985) foram decisivos na compreensão de quanto os métodos de alfabetização tradicionais são um obstáculo para o processo construtivista de Aquisição da Escrita, visto operarem com seqüências não estabelecidas pelas crianças, determinando critérios de facilidade ou dificuldade que não coincidem com o sujeito, ou seja, com a criança.


Veja abaixo os estágios de evolução, que segundo Ferreiro (1995), as crianças passam durante o contato com os sinais gráficos:

Nível Pré-silábico: As crianças apresentam, de início, escritas chamadas de indiferenciadas, pois são compostas por uma série de traços idênticos, garatujas ou grafismos primitivos; não têm controle sobre a quantidade de letras usadas para escrever e, também, não demonstram preocupação com critérios diferenciados entre si, até o momento em que começam a fazer tentativas sistemáticas de estabelecer diferenciadores entre os grafismos produzidos.

um elefante

uma formiguinha


Escreve elefante com muitas letras e formiguinha com poucas

letras (realismo nominal).

É característica desse nível a crença de que letras e sílabas não podem se repetir na mesma palavra. Exemplo:

AIUNOÁUX – ABACAXI

BXUNAF - MAÇA


Nível Silábico

Nessa fase, o aprendiz procura realizar uma correspondência entre grafia e sílaba, geralmente uma grafia para cada sílaba. Mas, podem apresentar letras que não apresentam relação com a palavra que escreve.

A criança acha que pode escrever tudo o que deseja, embora aquilo que tenha sido escrito por ela não possa ser lido pelos outros; aceita a possibilidade de escrever palavras menores com poucas letras, porém, ainda com certa dúvida, existindo a possibilidade de utilizar uma letra para cada palavra, ao escrever uma frase. E, ainda, não consegue distinguir categorias lingüísticas como artigo, substantivo, verbo, etc.

Veja os Exemplos:

• CIA – calcinha

• AS – sapo.

Nível Silábico-Alfabético

A criança começa a sintetizar que cada grafia corresponde a um som, embora seja possível ela falhar, pelo fato de estar em um conflito nesse momento. O sujeito precisa negar a lógica da hipótese silábica, tentando superá-la, por parecer-lhe precária, escrevendo, por isso, às vezes no nível silábico, outras no sistema alfabético, veja os exemplos encontrados em Ribeiro e Cócco:

• CIOLA – camisola ;

• TIAO – Tiago;

• KVAO – cavalo.

Nesse nível, a criança está quase alfabetizada, pois sua grafia começa a sintetizar o som que ouve, como no caso de cavalo, no qual ela utiliza a letra K para representar o som da primeira sílaba da palavra.

Nível Alfabético

É a fase em que o sujeito estabiliza a hipótese de que a sílaba se decompõe em unidades menores. O aprendiz começa a perceber, a diferença entre letra, sílaba, palavra e frase, ainda que, em alguns momentos, não divida, convencionalmente, as palavras da frase, mas o faça de acordo com o ritmo frasal.

Fonte: Letramento: Um tema em três gêneros. Magda SOARES. 2 ed. Belo Horizonte: Autêntica: 2004.

domingo, 21 de junho de 2009

Letramento e Alfabetização

Letramento e Alfabetização
Primeiramente, é importante esclarecer que o termo Letramento é uma palavra “recém-chegada ao vocabulário da Educação e das Ciências Linguísticas” (SOARES, 2004, p. 15). Até a segunda metade dos anos 80 somente havia espaço para o termo Alfabetização. Porém, sabe-se que a concepção de Educação e as perspectivas que a permeia são as responsáveis para que aquele termo tenha se tornado cada vez mais frequente no discurso escrito.
Veja a diferença entre um indivíduo alfabetizado de um indivíduo letrado:

Alfabetizado:
é aquele indivíduo que sabe ler e escrever
Letrado:
o indivíduo que vive em estado de letramento, é não só aquele que sabe ler e escrever, mas aquele que usa socialmente a leitura e a escrita, pratica a leitura e a escrita, responde adequadamente às demandas sociais de leitura e de escrita.
Desta forma, você possui uma responsabilidade muito grande em relação à formação de seu aluno, pois não basta apenas ensinar o sistema de códigos de escrita para a criança. Você deve levá-la a saber utilizar esse código na sociedade que a permeia, saber interpretar os aspectos referentes à sociedade em que vive e saber compreender sua realidade.
Assista o filme abaixo, que apresenta de forma muito clara o que é
Letramento:


Por meio desse filme pode-se verificar que o letramento é mais amplo do que a Alfabetização,
pois compreende aspectos sócio-históricos. A criança letrada é capaz de conviver melhor em sociedade, pois compreende os sentidos sócio-ideológicos dos códigos escritos que a envolve.

Fonte: Letramento: Um tema em três gêneros. Magda SOARES. 2 ed. Belo Horizonte: Autêntica: 2004.

domingo, 14 de junho de 2009

Características da leitura e da escrita

Nível conceitual - alfabético
  • Reconhecimento pela criança dos sons das letras.
  • A criança consegue estabelecer uma vinculação mais coerente entre leitura e escrita.
  • A criança concentra -se na sílaba para escrever.
  • Surge a adequação do escrito ao sonoro.
  • As unidades linguísticas (palavras, letras, sílabas) são tratadas como categorias estáveis ( antes não tinham para a criança nenhuma relação entre si).
  • A criança escreve do jeito que fala (presença da oralidade na escrita).
  • A criança compreende que cada um dos caracteres da escrita (letras) corresponde a valores sonoros menores que a sílaba.
  • Leitura sem imagem e com imagem.
  • Surgem os problemas relativos à ortografia.
Fonte:
Proposta Didática de Alfabetização: Para Casa ou Para Sala?
Lourdes Eustáquio Pinto Ribeiro
Editora Didática paulista - São Paulo, 1999.


sábado, 13 de junho de 2009

A construção da base alfabética

"Segundo Emília Ferreiro e Ana Teberosky, no livro Psicogênese da língua escrita, as concepções espontâneas que as crianças a partir de três anos de idade elaboram ao pensarem sobre a escrita convencional são as seguintes:
  • Uma figura não é para ler, embora possa ser interpretada.
  • Para que se possa ler, são necessárias outras marcas diferentes das figuras.
  • Para poder escrever, a criança inventa suas próprias letras.
  • As crianças consideram que as palavras servem para dizer os nomes das coisas.
  • As acham que palavras escritas com menos de três letras ou com letras repetidas não podem ser lidas.
  • Trata-se das hipóteses de quantidade e variedade de caracteres (conflito com a escrita alfabética).
  • Acreditam, num primeiro momento (hipótese silábica), que basta escrever uma letra para cada emissão sonora.
  • As crianças, então, enxertam letras, produzindo uma escrita ora silábica, ora alfabética (hipótese silábico-alfabética).
  • As crianças atingem a hipótese alfabética quando compreendem que, na escritura, as letras combinadas representam os sons da fala e que essa escritura obedece regras convencionadas socialmente. Alfabetizaram-se.
Essa evolução só é possível quando as atividades de leitura e escrita ocupam parte das atividades diárias propostas intencionalmente às crianças pelo professor em situações significativas.
Alfabetizar-se corresponde a compreender para que servem os sinais da escritura (letras, sinais, pontuação, separabilidade) e de que modo eles se articulam no tecido da escrita. É um complexo processo conceitual ( e não apenas perceptivo)."

Fonte:
Proposta Didática de Alfabetização: Para Casa ou Para Sala?
Lourdes Eustáquio Pinto Ribeiro
Editora Didática Paulista - São Paulo, 1999.